Códice do Tempo

Name:
Location: Setúbal/Lisboa, Portugal

Thursday, November 30, 2006

A alma que ama arde... eternamente... silenciosamente...

Diz se me reconheces...

Eu sinto que sempre te conheci, mesmo sem nunca me teres revelado o teu olhar...

Sinto que te recordo...

Por isso quero dizer-te em segredo que...

Eu fujo contigo para o deserto!




Passageiro do Tempo

Sunday, November 26, 2006

É lá onde habito...

Suspenso na eternidade das memórias distantes,
caminho ao longo do Vale que tu e eu um dia visitámos...
Aquele dia permanece na memória dos tempos no infinito do espaço.

Hoje visitei do novo aquele Lugar,
por cima de mim um manto cinza acolhe-me,
à frente, lá longe, abre-se uma clareira,
o meu lugar é aqui,
cheguei de novo,
sinto-me em casa,
é noite,
as estrelas são a minha Luz,
a Lua a minha guia...

...e quando um mago me perguntar onde eu moro, direi...
"É lá onde habito..."


Passageiro do Tempo

Saturday, November 25, 2006

Dias do Adeus

Não sei a razão daquela música me fazer lembrar-te naquele dia, áquela hora e naquele lugar.
O som invadiu a minha mente e cada nota do piano me lembra a nossa estória. Lentamente a música faz a ponte, entre o eu hoje e agora, e o meu mundo dos sonhos.
Engraçado como o presente e o passado se fundem... e de olhos fechados imagino-me naquele lugar, naquela hora...

O teu poema começava estranhamente com a frase "Cidade branca...", branco e gelado foi aquele inverno. Deste-mo a ler mais tarde, recordas-te? Dizias que tinha sido uma melodia subirmos até lá acima... aquele pássaro descreveu um círculo bem acima de nós e foste tu que o viste, não eu. Mais tarde, sem o saber, escrevias isso no teu poema...

Foram dias do Adeus sem o sabermos... sabes bem que não gosto de despedidas, sempre to disse...

E a música acaba fazendo retornar-me para a minha realidade... para o meu Tempo...




Passageiro do Tempo

Olhos nos olhos

Olhei-te naquele dia nos teus olhos,
fixei-os para não os esquecer...

"Esquece o mundo, o mundo lá fora" disse-te eu...
"Vai correr tudo bem..."

Menti-te, mentindo-me...

O Mundo e o Tempo éramos nós,
E o Tempo acabava...


Passageiro do Tempo

"Precisa-se de um amigo...
Não precisa ser homem, basta ser humano, ter sentimentos.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem imprescindível, que seja de segunda mão.
Não é preciso que seja puro, ou todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Pode já ter sido enganado ( todos os amigos são enganados).
Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar aquelas que não puderam nascer.
Deve amar o próximo e respeitar a dor que todos levam consigo.
Tem que gostar de poesia, dos pássaros, do por do sol e do canto dos ventos.
E seu principal objetivo de ser o de ser amigo.
Precisa-se de um amigo que faça a vida valer a pena, não porque a vida é bela, mas por já se ter um amigo.
Precisa-se de um amigo que nos bata no ombro, sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo.
Precisa-se de um amigo para ter-se a consciência de que ainda se vive."

Carlos Drummond de Andrade

Tuesday, November 21, 2006

"Mas atenta às vozes dos Deuses, eis que surge das águas cheias de Luz a Alma do mundo... porque o Mundo tem uma Alma... e essa os pequenos Homens nunca a alcançarão..."

Passageiro do Tempo

Se...

E se um dia eu te imaginasse como nos meus sonhos...

Um dia hei-de sonhar-te...

O pássaro que escreve um arco no azul dita o nosso destino,
o destino que teimamos negar mas que cumprimos.

Hoje sou o outono, amanhã serei a primavera...
dizemos a nós na manhã silenciosa da nossa existência...

Espero por ti porque te imagino nos meus sonhos...
E eu tornar-te-ei realidade...


Passageiro do Tempo

Friday, November 17, 2006

Evasões

Lá fora o outono deixa-se ouvir,
dentro de nós uma melodia nasce,
prenúncio da primavera que há-de vir,
recordo-te... tenho a tua voz comigo.

Ao longe, por cima daquele monte
as nuvens crescem e alimentam o trigo,
almas de gentes bebem da fonte,
sem tempo e sem destino.

Há, para nós, um só tempo,
e esse tempo no outono dourado,
lembra-nos que a vida é como o vento,
não esperando por nenhum de nós.

Passageiro do Tempo

Wednesday, November 15, 2006

Sonhando

Ouvindo o som das ondas…
Fecho os olhos e desejo onde quero estar,
Sinto-me chegar àquela estrela lá longe…
Se eu pudesse….
Se eu pudesse… ir até lá… ao meu sonho… a essa estrela…
Entrar nela e saber que não era um sonho,
Fazer-me acreditar que é essa a verdade…
Será que estou mesmo sonhando, ou a verdade é sonhar?
Pairando sobre as águas que ouço,
Toco com os meus dedos na espuma das ondas,
Ondas essas que são o meu sonho…

15-01-2005
(Alcácer do Sal)

Passageiro do Tempo

Tuesday, November 14, 2006

Sonhos de mim mesmo

Cedo procuro o que nem a minha alma sabe...

Hoje pareceu-me não ter vivido nada, há dias assim... "amanhã será diferente", penso eu para me enganar. Da janela vejo o nevoeiro... por momentos quase decidi querer fazer parte dele, de existir não existindo.
Lembrei-me de ti e daquilo que estarias a fazer, sei que o frio não te incomoda como a mim. Mas sei que a solidão do frio te incomoda demasiadamente, embora nunca mo tivesses confessado.
Saí para um café e pensei na solidão fria que nos assola e sei que assim será por mais algum tempo. Porque tudo passa, tudo passa...


Já lá vão dois anos.... e o passageiro do Tempo cada dia de viagem se sente menos dono de si... e diz para si mesmo "procuro o que nem a minha alma sabe..."

Hoje à noite sairei para ver as sombras e sentir-me melhor com o meu mundo secreto, o mundo que um dia jurei ser só meu, um mundo que só partilhei uma vez e do qual ainda fazes parte dele sem o saber... nesse mundo voltarei a abraçar-te e digo-te boa noite.


Passageiro do Tempo